Zona 1
Transição da seringueira
As seringueiras são retiradas em sequência para evitar exposição abrupta do solo. Pioneiras nativas são plantadas imediatamente para estabilizar o solo e iniciar a sucessão.
Fazenda ALUME · Ilhéus · Bahia
Quarenta e dois hectares onde recuperação florestal, agrofloresta, pesquisa, educação e comunidade se encontram na paisagem viva.
Ciclos da vida
Há mais de meio século, esta paisagem se tornou parte do sonho de outra pessoa.
Dois irmãos adquiriram a propriedade original e a dividiram entre si. Um plantou cacau. O outro plantou seringueiras. A visão deles refletia as oportunidades de sua época, e a plantação de seringueiras cresceu até chegar a quase 13 mil árvores em uma área que antes fora Mata Atlântica.
Anos depois, a ALUME passou a cuidar do lado das seringueiras.
Somos gratos pelo que veio antes — não porque a monocultura seja o futuro, mas porque ela nos deu a liberdade de criar um. Se esta área tivesse permanecido como floresta nativa intacta, nunca seria apropriado redesenhá-la. Em vez disso, herdamos uma paisagem que já havia sido transformada, o que nos trouxe a responsabilidade — e a oportunidade — de regenerá-la.
Uma das primeiras lições veio da tentativa de estabelecer agrofloresta sintrópica sob o dossel existente de seringueiras. Não funcionou. A plantação densa impedia a luz, as dinâmicas ecológicas e a sucessão das quais os sistemas regenerativos dependem. Em vez de impor um método à terra, ouvimos o que ela nos ensinava.
Hoje retiramos as seringueiras antes de plantar. Cada árvore que sai abre espaço para o retorno de uma floresta mais diversa.
De muitas maneiras, a Fazenda ALUME não está apenas restaurando um ecossistema — está continuando uma história. O sonho mudou; o compromisso com a terra, não.

Localização
No coração de um dos maiores focos de biodiversidade da Terra.
14.5537°S · 39.0893°W
A Fazenda ALUME fica em Aderno, Aritaguá, Ilhéus, em uma das regiões mais biodiversas da Mata Atlântica. A propriedade está entre o Parque Estadual da Serra do Conduru, a Área de Proteção Ambiental da Lagoa Encantada e a zona de amortecimento do Parque Estadual da Ponta da Tulha, o que lhe confere conectividade ecológica excepcional.
Por mais de meio século, quase 9 mil seringueiras substituíram um dos ecossistemas mais ricos do mundo por uma monocultura simplificada. Hoje, aproximadamente metade da propriedade permanece como seringal, enquanto a outra metade se regenera como floresta secundária. O trabalho da ALUME é acelerar essa transição — restaurando a biodiversidade, reconstruindo processos ecológicos e criando paisagens resilientes que apoiem tanto a natureza quanto as pessoas.
O que começou com um pedaço de terra se tornou um compromisso de longo prazo para desenvolver e compartilhar modelos práticos de regeneração.
Progresso do reflorestamento
A Fazenda ALUME é dividida em cinco zonas funcionais, cada uma com estratégia, protocolo de monitoramento e relação próprios entre recuperação ecológica e uso produtivo. Juntas, formam um sistema vivo.
Zona 1
As seringueiras são retiradas em sequência para evitar exposição abrupta do solo. Pioneiras nativas são plantadas imediatamente para estabilizar o solo e iniciar a sucessão.
Zona 2
Espécies nativas crescem com culturas alimentícias, de sombra e medicinais em sistemas estratificados. As árvores patrocinadas são plantadas aqui, registradas por GPS e monitoradas.
Zona 3
A floresta secundária existente se regenera com intervenções direcionadas, como remoção de invasoras, estruturas para fauna e monitoramento da sucessão.
Zona 4
Parcelas definidas apoiam testes de biologia do solo, desempenho de espécies e hidrologia, fortalecendo a metodologia aberta de restauração da ALUME.
Zona 5
Jardins, canteiros medicinais e infraestrutura unem função ecológica a residências, visitas educativas e oficinas comunitárias.

Legado

Este é mais do que um projeto de restauração — é a base de uma instituição criada para durar.
A Fazenda ALUME existe para desenvolver métodos, parcerias e modelos financeiros que tornem possível o cuidado ecológico de longo prazo. Cada lição aprendida aqui será compartilhada abertamente para que comunidades, proprietários, pesquisadores e organizações possam adaptar e melhorar o que funciona.
Acreditamos que a regeneração cresce por meio da colaboração. Por isso, nossas metodologias, sistemas de monitoramento e conhecimentos práticos são desenvolvidos como recursos abertos sempre que possível, ajudando a restauração a se estender muito além dos limites desta terra.
Ciência aberta · Monitoramento de longo prazo
A restauração duradoura exige mais do que boas intenções — exige evidências.
A ALUME está construindo um programa aberto de monitoramento que combina observações de campo, métodos científicos e pesquisa colaborativa para entender como os ecossistemas se recuperam e compartilhar abertamente o que aprendemos.
Construindo a linha de base
A restauração ecológica é medida em décadas, não em meses. Nosso objetivo é documentar como as paisagens se recuperam e melhorar continuamente nossos métodos.
Toda jornada de restauração começa pela compreensão da terra como ela é hoje. Estamos documentando solos, hidrologia, vegetação, fauna e fotografias georreferenciadas para estabelecer uma linha de base em relação à qual futuras mudanças ecológicas possam ser medidas.
Nosso objetivo é criar um registro georreferenciado completo de cada árvore plantada, incluindo identificação da espécie, data e origem do plantio, sobrevivência e crescimento de longo prazo.
A análise do solo já faz parte do nosso trabalho de restauração. Com o tempo, ampliaremos o monitoramento usando metodologias de campo como DRES, VESS e avaliações de atividade biológica, complementadas por análises laboratoriais periódicas.
Estamos desenvolvendo protocolos para monitorar águas subterrâneas, nascentes, disponibilidade sazonal de água, erosão e movimento da água na paisagem, entendendo melhor a relação entre restauração e recuperação da bacia.
Armadilhas fotográficas já ajudam a documentar a presença de fauna na propriedade. Conforme o programa evoluir, ampliaremos o monitoramento com levantamentos botânicos, inventários de biodiversidade e estudos de sucessão ecológica.
Algumas atividades de monitoramento já estão em andamento. Outras serão implementadas progressivamente conforme o projeto e as parcerias científicas cresçam.
Ciência aberta
A ALUME se compromete a compartilhar relatórios revisados, metodologias e dados selecionados sempre que apropriado, para que proprietários, pesquisadores, ONGs e iniciativas de restauração possam adaptar e melhorar o que aprendemos. Os primeiros materiais serão publicados após coleta, revisão e validação.
Parcerias de pesquisa
Convidamos universidades, institutos de pesquisa, estudantes, cientistas independentes e especialistas técnicos a ajudar a projetar e aprimorar o monitoramento de longo prazo por meio de estudos de campo, protocolos, desenvolvimento tecnológico, publicações e pesquisa colaborativa.
Visitas · Aprendizado · Colaboração
Alguns lugares são mais bem compreendidos quando caminhamos por eles.
Recebemos escolas, pesquisadores, organizações, parceiros e pessoas curiosas para vivenciar na prática a regeneração, a sintropia e a integração.
Cada visita é adaptada aos interesses do grupo e ao que está acontecendo na terra. As caminhadas guiadas podem explorar sistemas agroflorestais, áreas de restauração, mata nativa e experimentos em andamento, criando oportunidades para conhecer o território e a abordagem da ALUME.
As visitas podem abordar biodiversidade, agricultura regenerativa, educação ambiental, pesquisa científica, iniciativas comunitárias, sistemas circulares e novas formas de viver com a natureza.
Agendadas com antecedência, as visitas oferecem espaço para observação, troca e colaboração em uma paisagem viva onde a regeneração está acontecendo.
Venha observar, questionar, trocar e vivenciar a regeneração na prática.

Intercâmbio de Plantas · Biodiversidade · Sul da Bahia

O Intercâmbio de Plantas ALUME conecta pessoas, comunidades, fazendas, escolas e projetos de restauração por meio da troca e doação de plantas, mudas, sementes e materiais de propagação.
Com base nos princípios da natureza e da abundância, os participantes são incentivados a contribuir com mais do que recebem sempre que possível. Isso cria um ciclo vivo no qual espécies nativas, alimentícias, medicinais e outras plantas úteis circulam entre lugares, fortalecendo a biodiversidade, os sistemas agroflorestais, as florestas alimentares e a restauração ecológica.
Quando alguém não tem nada para trocar, também pode receber plantas por doação, garantindo que o acesso não seja limitado pelos recursos financeiros ou pelo que a pessoa já possui.
Por meio do viveiro da ALUME e dos intercâmbios comunitários, buscamos cultivar não apenas plantas, mas uma rede mais ampla de pessoas que restauram a terra, compartilham conhecimento e aumentam a diversidade e a resiliência das paisagens vivas em todo o Brasil.
Troque plantas. Compartilhe abundância. Cultive biodiversidade.
2.200+
Árvores e plantas estabelecidas
200+
Seringueiras removidas
80+
Espécies biodiversas plantadas
200+
Metros de estrada da fazenda melhorados
6.000+
m² de agrofloresta implementados
∞
Conhecimento de código aberto compartilhado
Os números refletem os registros atuais de campo da ALUME. Notas de medição e verificações são publicadas por meio do nosso programa de transparência.